Que alegria, o segundo Domingo do mês de Maio é especialmente dedicado em homenagens às progenitoras. É uma das épocas do ano onde mais se vende flores, toda a linha branca de eletrodomésticos e carne, muita carne, afinal, pelo menos uma vez na vida toda família já resolveu anistiar sua mãe do fogão para levá-la a alguma churrascaria. Idéia essa compartilhada por 98,5% da população (Nota: o 1,5% restante das mães ainda estão – em sua maioria – na fila da churrascaria do ano passado).
Este evento tradicional, que coroa o domingo maternal, não é um fato isolado dentro deste tão longo dia. Logo pela manhã a matriarca já é acordada aos berros pelos pimpolhos que – depois de dezenas de referências cinematográficas – resolveram levar-lhe o café na cama. Não que a bandeja venha com flores e várias frutas, ou que haja bandeja pelo menos… A mãe, no susto, bate os braços na travessa que continha uma caixa e meia de sucrilhos e nada menos do que um litro de leite (café extremamente bem reforçado para uma doméstica não assalariada). Uma vez que existe cereal matinal até na alma dos presentes toda a roupa de cama deve ser levada para a lavanderia (na esperança que os “Duendes da Limpeza” ou a “Dona Neura” apareçam pra limpar tudo aquilo). Enquanto ela toma um belo e quente banho – para se livrar do resultado da hidratação – a revelia – a base de leite – o maridão coloca com todo cuidado sobre a cama já arrumada um belo ramalhete acompanhado daquela famosa caixa de bombons em formato de coração e logicamente enquanto preparava tal surpresa deixou os “presentinhos de deus” sozinhos no outro banheiro…
Para sua surpresa, ao sair do quarto vê duas nuvens de espuma passarem correndo pelo corredor e vai atrás delas até que ouve um grito agoniado vindo do quarto. Era a mãe. Saindo renovada do banho vê o cachorro terminar de estraçalhar as rosas depois de se refestelar com o chocolate. O pai, seguido de dois montinhos nus de espuma chegam ao quarto e vêem a desoladora cena. Como consolo o ‘Macho Alfa’ daquele grupo tem uma grande idéia: levar a família para almoçar fora (todos menos o cachorro que é uma bolinha de pêlos, sucrilhos, rosas e chocolate).
Na terceira churrascaria que param resolvem enfrentar a fila que existe ali, afinal, já passaram por quatro pizzarias, três restaurantes – sendo um chinês – e duas churrascarias, com filas de espera de mais de quarenta minutos.
A disposição, toda variedade digna de qualquer grande matriarca contemporânea, muita salada crua (a única coisa que restou no buffet), e muita carne que deveria ter ficado mais tempo na brasa, ou passado por algum tipo de cocção, no mínimo. Depois de muitos pisões no pé, oferecidos gratuitamente pelos demais petizes existentes no local – que teimavam em correr desesperadamente – e também muitos jogos de corpo dados pelas matriarcas mais “avantajadas” querendo aqueles últimos ovos de codorna esquecidos em uma bandeja no canto das saladas…
De volta ao lar, esgotados, cansados, doloridos e ainda com certa fome, a mãe se larga no sofá torcendo para que mais nada de ruim lhe aconteça. É neste instante que seu dia transforma-se: os dois pimpolhos vêm em sua direção com artefatos manuais e desenhos produzidos na escola. Por mais torpe que possa parecer aquela criação (Não mamãe, não é um pegador de panelas, é um marcador de páginas!), ela percebe que é querida, amada, respeitada por sua família. Até o pai vem até ela com um pacote maior que aquele das crianças (e, para sua alegria, totalmente manufaturado) que, quando aberto, revela-se um jogo de panelas de última geração…
É nesse instante que ela se lembra do que já dizia a mãe dela na ocasião do casamento: “Minha filha, só existem dois tipos de mãe: aquelas que já ganharam panelas e aquelas que ainda ganharão!“
Assim que ela volta do susto já ouve sua família perguntando o que tinha pra comer, e sua rotina volta ao normal antes que seu dia de homenagens termine.
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